quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
O BOOMERANG DO DITADOR - Por Luiz Araújo
Quando o medo amordaça e paralisa bloqueando o verbo e o gesto ao cidadão, às pessoas
conscientes e honradas do povo só restam três saídas: o da colaboração com a ditadura
pela via da traição passiva ou activa, o suicídio ou a resistência. Qualquer dessas três saídas
é forçada mas só a resistência é a saída para a liberdade. Jamais ela será conquistada por via
de “boas” parcerias com o ditador.
No discurso de abertura do VI Congresso do MPLA (10.12.09) José Eduardo dos Santos
dividiu a sociedade civil em boas e más organizações e apontou a necessidade de
regulamentação que permita obrigar cada um a ocupar o seu espaço “para que não haja
confusão”.
O PR JES afirmou que, o MPLA, "exprime a sua satisfação pelo surgimento de muitas
organizações não governamentais (ong’s) angolanas e fundações e manifesta o
seu reconhecimento pelo auxílio que prestam ao Estado e à sociedade na resolução de
muitos problemas das populações carenciadas e das comunidades rurais". Em seguida,
declarou que o seu partido, MPLA: "Entretanto exprime também a sua discordância com o
facto de algumas ONG’s estarem a realizar tarefas e missões que competem aos
partidos políticos". Completou depois essa divisão dizendo que: "Pretendemos
uma sociedade organizada e ordenada, onde cada um ocupe o seu espaço e
intervenha nos marcos da lei. Temos, por isso, que promover o aperfeiçoamento dos
nossos regulamentos para que não haja confusão"
A essência da agenda do PR JES para a sociedade civil fica finalmente exposta. Falta só
que a complete, saindo da acusação vaga, esclarecendo-nos sobre quais são as organizações
que realizam tarefas da competência exclusiva dos partidos. De entre tantas outras, serão
à FESA, o Fundo Lwiniy, o Movimento Nacional Expontâneo, a AJAPRAZ, a ADRA ou
a IBIS, a DW e a SOS Habitat? Quais são? Que ONGs, efectivamente, são partidárias
declaradas ou não mas cujo partidarismo é ostentado e ou passível de ser comprovado?
Quais foram as que, inclusive, vimos nas emissões da TPA a distribuir ofertas com
bandeirinhas e tishirts dum partido?
Outras organizações e actores, mais subtis, não têm esse tipo de desempenho, mas não
significa que não são absolutamente apartidárias, objectivamente, também, vêm agindo
pelo regime de MPLA/JES. Inclusive implementando acções no quadro do programa do
Governo do MPLA/JES, o PAANE (como é o caso das “Conferências Nacionais da
Sociedade Civil”) que tem como Ordenador Nacional o Ministro do Plano, um subordinado
de JES, Presindete do MPLA. Isso não é significativo?
Além de outros ataques com que fomos sendo “mimados”, lembrei-me imediatamente do
ataque, em 2007, feito pelo Sr. Walapi Kalenga, quadro do MINARES contra organizações
concretas: (i) a SOS Habitat, a AJPD, a Mão Livres, a Open Society e algumas outras
ONGs internacionais. Ataque caracterizado por ser (a) feito por um quadro, chefe
subalterno dum ministério no entanto (b) com o apoio dos serviços de pesos pesados dos
principais órgãos de comunicação do Estado, (c) sem permitir respostas às associações
visadas e que (d) na imprensa teve o reforço de sopranos de sempre do regime do MPLA.
Pela combinação de elementos e aspectos que lhe deram forma, esse ataque deve ser hoje
entendido em combinação com o recente pronunciamento de JES. Ambos, no mínimo,
têm exactamente o mesmo sentido, fins declarados e ou óbvios.
Não nos espanta o uso do adjectivo CONFUSÃO pelo PR JES. Ele é o principal promotor
e responsável pelas causas da grande confusão em que o Estado está a ser cada vez mais
metido para geração de rendimentos particulares ilícitos. Está a por lume no país mas não
quer que as chamas o queimem. Por isso necessita de mecanismos (regulamentação) para
aplicar as forças que já tem na contenção do fogo do seu incêndio. Nos dias que correm
está é a, única, confusão principal que está a ser feita em Angola. A confusão real.
Violações dos direitos humanos são cometidas e aos seus agentes é garantida uma total
impunidade. É essa a confusão que o regime do MPLA/JES está a fazer. A justiça tem sido
falha para os mais pobres e excluídos da nossa sociedade. A justiça está sequestrada. Os
mais desfavorecidos da nossa sociedade têm sido tantas vezes tratados como não cidadãos
por homens portando símbolos e armas do Estado com que atacam o povo para, a mando
de quem governa, o esbulharem dos seus bens e expulsa-lo dos seus sítios. São dessa
natureza os abusos que são a causa principal da acção política das organizações da
sociedade civil defensoras dos direitos humanos. Isto é confusão? Isto não é confusão.
Essa acção mesmo que seja feita com a parceria de partido da oposição e ou como acções
de oposição política não são actos de confusionistas. É exactamente o contrário. É a
acção anti confusão de Estado conduzido por JES.
Ora essa confusão da responsabilidade do Estado/MPLA/JES é que é a confusão real à luz
da lei,. Uma perturbação grave da ordem do Estado de direito democrático que, para
espanto de todos nós, nem carece de nova regulamentação para ser sanada Ela, a lei,
existe, carece é de ser aplicada com o rigor de Estado em que o Sr. PR JES tem sido falho.
Porque será?!
Campeiam no país dirigentes, agentes do Estado e seus clientes que, efectivamente, vêm
protagonizando uma grave confusão na República. Esta componente da confusão está a
socavar a paz e pode, a prazo, ter consequências calamitosas para toda a nação.
O PR JES, ao dividir-nos numa "boa" e "má" sociedade civil, reforça e radicaliza uma
prática com essa tendência separatista que não é novidade no político angolano em geral e
em especial no meio das organizações da sociedade civil, onde há muito intervêm actores
que também promovem a separação entre “boas” e “más” organizações. Uma divisão que
apesar de não dita e mesmo que quando discursada em sentido inverso a isso, vem sendo
efectivada e que, inclusive, tem os seus promotores, financiadores e dinamizadores dum
programa Governamental (o PAANE) com que, além de outras metas, objectivamente, se
tem visado domesticar a sociedade civil.
Agenda essa implementada por actores e organizações mais simpáticas ao regime, na sua
maioria com raízes históricas nele e ou que não lhe manifestam o seu descontentamento e
muito menos lhe oferecem resistência. Apesar de cada associação ser pertença exclusiva
dos seus constituintes, à partida, os agentes desse programa qualificam globalmente a
diversidade de organizações existentes como sendo “a nossa” sociedade civil, portanto de
todos. Inclusive arvorando-se o direito de interferirem na existência de todas. Como se
trata-se duma "obrigação democrática participativa" de toda as organizações da sociedade
civil, têm insistido no convencimento à adesão de todas as organizações da sociedade civil
a esse programa do Governo "para os Actores Não Estatais", o PAANE.
Os agentes desse programa primeiro postularam a representação única da sociedade civil.
Falharam. De nenhum país democrático de facto nos chegou um só exemplo duma agenda
semelhante. Essa agenda, no caso angolano, naturalmente, chocou com resistências
legitimas e impedimentos legais. A representação global da sociedade civil é inviável,
impossível. Caso qualquer regulamentação a imponha isso consubstanciará o retorno a
uma situação inaceitável que nos reduzirá ao modelo das organizações sociais de massas da
primeira fase ditatorial do MPLA/JES, a do partido único de triste memória.
Quem acredita que nas circunstancias actuais é possível a realização duma agenda que
promova a acção cidadã livre e o desenvolvimento, sem distinções, entre “más” e “boas”
organizações da sociedade civil, que nos foi arremessada pelo programa PAANE. Não
podemos esquecer que é o programa dum Governo violador de direitos humanos,
implementado em parceria com uma Delegação da Comissão Europeia, cúmplice por
omissão para com os autores de violações dos direitos humanos cometidas em Angola. É o
programa dum governo assim que, (recorrendo à terminologia do PR JES) nos vai permitir
sanar as confusões que o mesmo governo engendra com essas violações e com a
impunidade com que as acoberta?
O PAANE, seus agentes e os actores politicamente conscientes e ou incautos que
arregimentou, representam efectivamente o papel do maluco que tenta encher com água
um reservatório roto, sem primeiro fechar os rombos por onde a água se esvai
eternamente. Essa é metáfora adequada ao PAANE nos moldes em que actualmente está
concebido e com o enquadramento institucional que tem. A CE tem alternativa a isso mas
não ousa, os interesses económicos falam mais forte. Nos dias que correm esse programa
orçamentado em 3.000.000 de € doados pela CE, é um programa que tem um membro do
Governo como Ordenador Nacional, para todos os efeitos um subordinado do PR JES.
O PR JES, recentemente, colocou o seu partido e o país numa onda de ”tolerância zero à
corrupção”. Em seguida, sobejamente, na imprensa e por por via de comentários On line
foram manifestadas muitas, sérias e consideráveis duvidas (muitas das quais faço minhas)
sobre a viabilidade de mais essa promessa do PR JES, Uma confusão “contra a confusão”,
assim o entendo e exprimo usando o termo do PR JES.
Agora, escorado no pronunciamento com que, de forma vaga, acusou organizações da
sociedade civil e orientou para elaboração de futura regulamentação que remeta cada um
ao seu espaço (como já vem fazendo com os "gentios da fazenda Angola” em termos de
espaço de residência) tenho razões para considerar que, de forma mais efectiva e eficiente,
mais rapidamente aplicará à sociedade civil uma intolerância mais absoluta do que a
tolerância zero com que ameaçou os corruptos. Inclusive, em minha opinião, certamente,
vai ter o apoio de muitos desses corruptos na implementação da sua política de
intolerância para com ás "más" organizações da sociedade civil de Angola.
Pelo andar da carruagem da ditadura que, assim, se aprofunda, o que cada vez mais é uma
necessidade nacional com caracter de urgência, é uma tolerância zero do povo à confusão
de Estado de José Eduardo dos Santos.
O PR JES chegou a um momento em que os ataques aos efeitos da confusão com que
perturba a ordem do Estado de direito democrático instituído se voltam contra ele mesmo.
É o boomerang da ditadura.
EXIJO DIGNIDADE
Este texto, não reflecte a posição da associação a que pertenço e é exclusivamente da
minha responsabilidade,
O BOOMERANG DO DITADOR - Por Luiz Araújo
Quando o medo amordaça e paralisa bloqueando o verbo e o gesto ao cidadão, às pessoas
conscientes e honradas do povo só restam três saídas: o da colaboração com a ditadura
pela via da traição passiva ou activa, o suicídio ou a resistência. Qualquer dessas três saídas
é forçada mas só a resistência é a saída para a liberdade. Jamais ela será conquistada por via
de “boas” parcerias com o ditador.
No discurso de abertura do VI Congresso do MPLA (10.12.09) José Eduardo dos Santos
dividiu a sociedade civil em boas e más organizações e apontou a necessidade de
regulamentação que permita obrigar cada um a ocupar o seu espaço “para que não haja
confusão”.
O PR JES afirmou que, o MPLA, "exprime a sua satisfação pelo surgimento de muitas
organizações não governamentais (ong’s) angolanas e fundações e manifesta o
seu reconhecimento pelo auxílio que prestam ao Estado e à sociedade na resolução de
muitos problemas das populações carenciadas e das comunidades rurais". Em seguida,
declarou que o seu partido, MPLA: "Entretanto exprime também a sua discordância com o
facto de algumas ONG’s estarem a realizar tarefas e missões que competem aos
partidos políticos". Completou depois essa divisão dizendo que: "Pretendemos
uma sociedade organizada e ordenada, onde cada um ocupe o seu espaço e
intervenha nos marcos da lei. Temos, por isso, que promover o aperfeiçoamento dos
nossos regulamentos para que não haja confusão"
A essência da agenda do PR JES para a sociedade civil fica finalmente exposta. Falta só
que a complete, saindo da acusação vaga, esclarecendo-nos sobre quais são as organizações
que realizam tarefas da competência exclusiva dos partidos. De entre tantas outras, serão
à FESA, o Fundo Lwiniy, o Movimento Nacional Expontâneo, a AJAPRAZ, a ADRA ou
a IBIS, a DW e a SOS Habitat? Quais são? Que ONGs, efectivamente, são partidárias
declaradas ou não mas cujo partidarismo é ostentado e ou passível de ser comprovado?
Quais foram as que, inclusive, vimos nas emissões da TPA a distribuir ofertas com
bandeirinhas e tishirts dum partido?
Outras organizações e actores, mais subtis, não têm esse tipo de desempenho, mas não
significa que não são absolutamente apartidárias, objectivamente, também, vêm agindo
pelo regime de MPLA/JES. Inclusive implementando acções no quadro do programa do
Governo do MPLA/JES, o PAANE (como é o caso das “Conferências Nacionais da
Sociedade Civil”) que tem como Ordenador Nacional o Ministro do Plano, um subordinado
de JES, Presindete do MPLA. Isso não é significativo?
Além de outros ataques com que fomos sendo “mimados”, lembrei-me imediatamente do
ataque, em 2007, feito pelo Sr. Walapi Kalenga, quadro do MINARES contra organizações
concretas: (i) a SOS Habitat, a AJPD, a Mão Livres, a Open Society e algumas outras
ONGs internacionais. Ataque caracterizado por ser (a) feito por um quadro, chefe
subalterno dum ministério no entanto (b) com o apoio dos serviços de pesos pesados dos
principais órgãos de comunicação do Estado, (c) sem permitir respostas às associações
visadas e que (d) na imprensa teve o reforço de sopranos de sempre do regime do MPLA.
Pela combinação de elementos e aspectos que lhe deram forma, esse ataque deve ser hoje
entendido em combinação com o recente pronunciamento de JES. Ambos, no mínimo,
têm exactamente o mesmo sentido, fins declarados e ou óbvios.
Não nos espanta o uso do adjectivo CONFUSÃO pelo PR JES. Ele é o principal promotor
e responsável pelas causas da grande confusão em que o Estado está a ser cada vez mais
metido para geração de rendimentos particulares ilícitos. Está a por lume no país mas não
quer que as chamas o queimem. Por isso necessita de mecanismos (regulamentação) para
aplicar as forças que já tem na contenção do fogo do seu incêndio. Nos dias que correm
está é a, única, confusão principal que está a ser feita em Angola. A confusão real.
Violações dos direitos humanos são cometidas e aos seus agentes é garantida uma total
impunidade. É essa a confusão que o regime do MPLA/JES está a fazer. A justiça tem sido
falha para os mais pobres e excluídos da nossa sociedade. A justiça está sequestrada. Os
mais desfavorecidos da nossa sociedade têm sido tantas vezes tratados como não cidadãos
por homens portando símbolos e armas do Estado com que atacam o povo para, a mando
de quem governa, o esbulharem dos seus bens e expulsa-lo dos seus sítios. São dessa
natureza os abusos que são a causa principal da acção política das organizações da
sociedade civil defensoras dos direitos humanos. Isto é confusão? Isto não é confusão.
Essa acção mesmo que seja feita com a parceria de partido da oposição e ou como acções
de oposição política não são actos de confusionistas. É exactamente o contrário. É a
acção anti confusão de Estado conduzido por JES.
Ora essa confusão da responsabilidade do Estado/MPLA/JES é que é a confusão real à luz
da lei,. Uma perturbação grave da ordem do Estado de direito democrático que, para
espanto de todos nós, nem carece de nova regulamentação para ser sanada Ela, a lei,
existe, carece é de ser aplicada com o rigor de Estado em que o Sr. PR JES tem sido falho.
Porque será?!
Campeiam no país dirigentes, agentes do Estado e seus clientes que, efectivamente, vêm
protagonizando uma grave confusão na República. Esta componente da confusão está a
socavar a paz e pode, a prazo, ter consequências calamitosas para toda a nação.
O PR JES, ao dividir-nos numa "boa" e "má" sociedade civil, reforça e radicaliza uma
prática com essa tendência separatista que não é novidade no político angolano em geral e
em especial no meio das organizações da sociedade civil, onde há muito intervêm actores
que também promovem a separação entre “boas” e “más” organizações. Uma divisão que
apesar de não dita e mesmo que quando discursada em sentido inverso a isso, vem sendo
efectivada e que, inclusive, tem os seus promotores, financiadores e dinamizadores dum
programa Governamental (o PAANE) com que, além de outras metas, objectivamente, se
tem visado domesticar a sociedade civil.
Agenda essa implementada por actores e organizações mais simpáticas ao regime, na sua
maioria com raízes históricas nele e ou que não lhe manifestam o seu descontentamento e
muito menos lhe oferecem resistência. Apesar de cada associação ser pertença exclusiva
dos seus constituintes, à partida, os agentes desse programa qualificam globalmente a
diversidade de organizações existentes como sendo “a nossa” sociedade civil, portanto de
todos. Inclusive arvorando-se o direito de interferirem na existência de todas. Como se
trata-se duma "obrigação democrática participativa" de toda as organizações da sociedade
civil, têm insistido no convencimento à adesão de todas as organizações da sociedade civil
a esse programa do Governo "para os Actores Não Estatais", o PAANE.
Os agentes desse programa primeiro postularam a representação única da sociedade civil.
Falharam. De nenhum país democrático de facto nos chegou um só exemplo duma agenda
semelhante. Essa agenda, no caso angolano, naturalmente, chocou com resistências
legitimas e impedimentos legais. A representação global da sociedade civil é inviável,
impossível. Caso qualquer regulamentação a imponha isso consubstanciará o retorno a
uma situação inaceitável que nos reduzirá ao modelo das organizações sociais de massas da
primeira fase ditatorial do MPLA/JES, a do partido único de triste memória.
Quem acredita que nas circunstancias actuais é possível a realização duma agenda que
promova a acção cidadã livre e o desenvolvimento, sem distinções, entre “más” e “boas”
organizações da sociedade civil, que nos foi arremessada pelo programa PAANE. Não
podemos esquecer que é o programa dum Governo violador de direitos humanos,
implementado em parceria com uma Delegação da Comissão Europeia, cúmplice por
omissão para com os autores de violações dos direitos humanos cometidas em Angola. É o
programa dum governo assim que, (recorrendo à terminologia do PR JES) nos vai permitir
sanar as confusões que o mesmo governo engendra com essas violações e com a
impunidade com que as acoberta?
O PAANE, seus agentes e os actores politicamente conscientes e ou incautos que
arregimentou, representam efectivamente o papel do maluco que tenta encher com água
um reservatório roto, sem primeiro fechar os rombos por onde a água se esvai
eternamente. Essa é metáfora adequada ao PAANE nos moldes em que actualmente está
concebido e com o enquadramento institucional que tem. A CE tem alternativa a isso mas
não ousa, os interesses económicos falam mais forte. Nos dias que correm esse programa
orçamentado em 3.000.000 de € doados pela CE, é um programa que tem um membro do
Governo como Ordenador Nacional, para todos os efeitos um subordinado do PR JES.
O PR JES, recentemente, colocou o seu partido e o país numa onda de ”tolerância zero à
corrupção”. Em seguida, sobejamente, na imprensa e por por via de comentários On line
foram manifestadas muitas, sérias e consideráveis duvidas (muitas das quais faço minhas)
sobre a viabilidade de mais essa promessa do PR JES, Uma confusão “contra a confusão”,
assim o entendo e exprimo usando o termo do PR JES.
Agora, escorado no pronunciamento com que, de forma vaga, acusou organizações da
sociedade civil e orientou para elaboração de futura regulamentação que remeta cada um
ao seu espaço (como já vem fazendo com os "gentios da fazenda Angola” em termos de
espaço de residência) tenho razões para considerar que, de forma mais efectiva e eficiente,
mais rapidamente aplicará à sociedade civil uma intolerância mais absoluta do que a
tolerância zero com que ameaçou os corruptos. Inclusive, em minha opinião, certamente,
vai ter o apoio de muitos desses corruptos na implementação da sua política de
intolerância para com ás "más" organizações da sociedade civil de Angola.
Pelo andar da carruagem da ditadura que, assim, se aprofunda, o que cada vez mais é uma
necessidade nacional com caracter de urgência, é uma tolerância zero do povo à confusão
de Estado de José Eduardo dos Santos.
O PR JES chegou a um momento em que os ataques aos efeitos da confusão com que
perturba a ordem do Estado de direito democrático instituído se voltam contra ele mesmo.
É o boomerang da ditadura.
EXIJO DIGNIDADE
Este texto, não reflecte a posição da associação a que pertenço e é exclusivamente da
minha responsabilidade,
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
TENHAM VERGONHA "SENHORES" DA EUROPA E DO MUNDO EXIGIMOS QUE DEIXEM DE SUSTENTAR QUAISQUER OPRESSÕES EM ÁFRICA E NO MUNDO!
"Em greve de fome há 24 dias num parque de estacionamento do aeroporto de Lanzarote, Aminetu Haidar continua a morrer aos poucos. O governo espanhol não se limita ao silêncio e comporta-se como autêntico delegado diligente da ditadura marroquina. Do resto da Europa, governo português incluído (o partido que o sustenta nem a favor de um voto de solidariedade consegui estar), o silêncio cobarde". In Blogue - Arrastão (embaixo da mensagem)
_____________________________________________________________________
Leiam a citação de Montesquieu embaixo e nunca se esqueçam do que afirma.
_____________________________________________________________________________________________________________
"Se soubesse de algo que fosse útil à minha família e não à minha pátria, procuraria esquecê-lo. Se soubesse de algo que fosse útil à minha pátria e prejudicial à Europa, ou então útil à Europa e prejudicial ao género humano, eu consideraria isso um crime”.
Montesquieu
_____________________________________________________________________________________________________________
Enquanto activista do direitos humanos não posso deixar de me juntar às vozes que neste momento se associam a Aminetu Haidar quando se sacrifica pela sua dignidade e do povo do Sahara Ocidental. Não posso neste momento deixar de mais uma vez, denunciar a atitude cúmplice da União Europeia com várias situações de subjugação e ou de violação impune dos direitos humanos em África.
A cumplicidade da Comunidade Internacional, em particular a da União Europeia e dos seus Estados Membros, fica bem exemplificada com o caso do Sahara Ocidental, agora que a activista dos direitos humanos Aminetu Haidar está a arriscar a sua própria vida em nome da sua dignidade e do seu povo oprimido.
É esse o valor com que se tem que pagar para que aqueles que se colocam perante o mundo como campeões dos direitos humanos assumam as suas obrigações. O que teremos que fazer para que saiam da trincheira do cinismo com que gangrenam relações internacionais em que colocam acima dos valores humanistas (que postulam e instituíram como essenciais à suas relações internacionais) interesses económicos com que se sustentam e em nome dos quais não contestam ditaduras e diferentes situações de opressão vividas por vários povos africanos, sejam eles povos de Estados independentes ou não.
Esse cinismo, além da cumplicidade com que protege a subjugação do povo do Sahara Oidental, também vem sustentando outras ditaduras africanas que com absoluta impunidade violam direitos humanos como no caso de Angola.
O sacrifício voluntário e pacifista de Aminetu Haidar ao dar visibilidade à subjugação do seu povo e à cumplicidade internacional que a sustenta, constitui-se numa acção por todas as vitimas dessa tirania e também da cumplicidade internacional que vem sustentando regime de opressão no nosso continente.
Todos os que conduzem Estados, Governos e instituições supra nacionais, como a UE e CE, sustentando ainda que só pela omissão a impunidade de violadores dos direitos humanos, devem perceber que são co-produtores do esgotamento das possibilidades de sucesso dos movimentos pacifistas que trabalham pela garantia do respeito pelos direitos humanos. Devem perceber que estão a contribuir para a eliminação das possibilidades de acção pacifista das vitimas dessas ditaduras. Estão a reduzir as nossas possibilidades de acção e a obrigar-nos assim à legitima defesa com o recurso ao uso da força. Solução que não temos promovido apesar de tantas vezes termos sido reprimidos com violência e de inclusive, nalguns casos, enquanto defensores dos direitos humanos, termos sido alvos de atentados contra as nossas vidas. Violência que, em consequência, poderá ser a resposta a que , obrigados a isso pelas ditaduras, os africanos oprimidos recorrerão nalgum momento da afronta a que são submetidos. Submissão, paradoxalmente, agora também concretizada por regimes reconhecidos como sendo democracias pela Comunidade Internacional em geral e em particular pela UE.
Aminetu Haidar, desejo que sobrevivas e sejas uma vencedora mas caso o teu sacrifício te seja fatal nunca o será em vão porque, a prazo, as causas justas são sempre vencedoras.
Havemos de reproduzir o teu exemplo de combatente pela liberdade e pela dignidade humana até que todas as nossas aspirações sejam concretizadas.
Aminetu Haidar, colocas-te entre as filhas e filhos mais dignos de África.
Obrigada Aminetu Haidar pelo exemplo de dignidade que nos dás.
EXIGE DIGNIDADE
Luiz Araújo
Defensor dos Direitos Humanos
Angola
Solicito a mais ampla divulgação desta mensagem e o seu envio em especial para entidades da União Europeia e dos seus estados membros.
Leiam a citação de Montesquieu embaixo e nunca se esqueçam do que afirma.
_____________________________________________________________________________________________________________
"Se soubesse de algo que fosse útil à minha família e não à minha pátria, procuraria esquecê-lo. Se soubesse de algo que fosse útil à minha pátria e prejudicial à Europa, ou então útil à Europa e prejudicial ao género humano, eu consideraria isso um crime”.
Montesquieu
_____________________________________________________________________________________________________________
Enquanto activista do direitos humanos não posso deixar de me juntar às vozes que neste momento se associam a Aminetu Haidar quando se sacrifica pela sua dignidade e do povo do Sahara Ocidental. Não posso neste momento deixar de mais uma vez, denunciar a atitude cúmplice da União Europeia com várias situações de subjugação e ou de violação impune dos direitos humanos em África.
A cumplicidade da Comunidade Internacional, em particular a da União Europeia e dos seus Estados Membros, fica bem exemplificada com o caso do Sahara Ocidental, agora que a activista dos direitos humanos Aminetu Haidar está a arriscar a sua própria vida em nome da sua dignidade e do seu povo oprimido.
É esse o valor com que se tem que pagar para que aqueles que se colocam perante o mundo como campeões dos direitos humanos assumam as suas obrigações. O que teremos que fazer para que saiam da trincheira do cinismo com que gangrenam relações internacionais em que colocam acima dos valores humanistas (que postulam e instituíram como essenciais à suas relações internacionais) interesses económicos com que se sustentam e em nome dos quais não contestam ditaduras e diferentes situações de opressão vividas por vários povos africanos, sejam eles povos de Estados independentes ou não.
Esse cinismo, além da cumplicidade com que protege a subjugação do povo do Sahara Oidental, também vem sustentando outras ditaduras africanas que com absoluta impunidade violam direitos humanos como no caso de Angola.
O sacrifício voluntário e pacifista de Aminetu Haidar ao dar visibilidade à subjugação do seu povo e à cumplicidade internacional que a sustenta, constitui-se numa acção por todas as vitimas dessa tirania e também da cumplicidade internacional que vem sustentando regime de opressão no nosso continente.
Todos os que conduzem Estados, Governos e instituições supra nacionais, como a UE e CE, sustentando ainda que só pela omissão a impunidade de violadores dos direitos humanos, devem perceber que são co-produtores do esgotamento das possibilidades de sucesso dos movimentos pacifistas que trabalham pela garantia do respeito pelos direitos humanos. Devem perceber que estão a contribuir para a eliminação das possibilidades de acção pacifista das vitimas dessas ditaduras. Estão a reduzir as nossas possibilidades de acção e a obrigar-nos assim à legitima defesa com o recurso ao uso da força. Solução que não temos promovido apesar de tantas vezes termos sido reprimidos com violência e de inclusive, nalguns casos, enquanto defensores dos direitos humanos, termos sido alvos de atentados contra as nossas vidas. Violência que, em consequência, poderá ser a resposta a que , obrigados a isso pelas ditaduras, os africanos oprimidos recorrerão nalgum momento da afronta a que são submetidos. Submissão, paradoxalmente, agora também concretizada por regimes reconhecidos como sendo democracias pela Comunidade Internacional em geral e em particular pela UE.
Aminetu Haidar, desejo que sobrevivas e sejas uma vencedora mas caso o teu sacrifício te seja fatal nunca o será em vão porque, a prazo, as causas justas são sempre vencedoras.
Havemos de reproduzir o teu exemplo de combatente pela liberdade e pela dignidade humana até que todas as nossas aspirações sejam concretizadas.
Aminetu Haidar, colocas-te entre as filhas e filhos mais dignos de África.
Obrigada Aminetu Haidar pelo exemplo de dignidade que nos dás.
EXIGE DIGNIDADE
Luiz Araújo
Defensor dos Direitos Humanos
Angola
Solicito a mais ampla divulgação desta mensagem e o seu envio em especial para entidades da União Europeia e dos seus estados membros.
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---------- Forwarded message ----------
From: Arrastão
Date: 2009/12/9
Subject: Arrastão
To: maquinaza@gmail.com
Arrastão
O silêncio dos cobardes
Posted: 08 Dec 2009 11:07 PM PST
Em greve de fome há 24 dias num parque de estacionamento do aeroporto de Lanzarote, Aminetu Haidar continua a morrer aos poucos. O governo espanhol não se limita ao silêncio e comporta-se como autêntico delegado diligente da ditadura marroquina. Do resto da Europa, governo português incluído (o partido que o sustenta nem a favor de um voto de solidariedade consegui estar), o silêncio cobarde. O Sara luta pelo mesmo que Timor lutou. A história é aliás quase igual. Mas os negócios falam mais alto. Aminetu Haidar, prémio Sakarov entre tantos outros, pode morrer a qualquer momento. Em solo europeu. Perante o silêncio cobarde de todos. Apenas porque não deixam regressar ao seu país, à sua casa, aos seus filhos. Apenas porque os mesmos que a elogiam e a premeiam são incapazes de aprender alguma coisa com o seu exemplo: o da dignidade e da coragem.
Quando Marrocos fez saber que ela só poderá regressar se pedir desculpas ao rei Mohammed VI, o seu filho mais novo, de 13 anos, disse: “A minha mãe nunca vai voltar a casa porque nunca vai pedir perdão ao rei.” Não por frieza, mas pela coragem de uma combatente, Aminetu mediu todas as palavras: “podem viver sem mãe, mas não sem dignidade”. Por mim, ao ver esta mulher firme e de paz morrer na Europa que se diz da liberdade sinto uma vergonha sem fim. E um desprezo enorme pelos cobardes que nos governam. Tivessem os nossos líderes um pingo do que tem Aminetu e estariamos muito melhor servidos.
---------- Forwarded message ----------
From: Arrastão
Date: 2009/12/9
Subject: Arrastão
To: maquinaza@gmail.com
Arrastão
O silêncio dos cobardes
Posted: 08 Dec 2009 11:07 PM PST
Em greve de fome há 24 dias num parque de estacionamento do aeroporto de Lanzarote, Aminetu Haidar continua a morrer aos poucos. O governo espanhol não se limita ao silêncio e comporta-se como autêntico delegado diligente da ditadura marroquina. Do resto da Europa, governo português incluído (o partido que o sustenta nem a favor de um voto de solidariedade consegui estar), o silêncio cobarde. O Sara luta pelo mesmo que Timor lutou. A história é aliás quase igual. Mas os negócios falam mais alto. Aminetu Haidar, prémio Sakarov entre tantos outros, pode morrer a qualquer momento. Em solo europeu. Perante o silêncio cobarde de todos. Apenas porque não deixam regressar ao seu país, à sua casa, aos seus filhos. Apenas porque os mesmos que a elogiam e a premeiam são incapazes de aprender alguma coisa com o seu exemplo: o da dignidade e da coragem.
Quando Marrocos fez saber que ela só poderá regressar se pedir desculpas ao rei Mohammed VI, o seu filho mais novo, de 13 anos, disse: “A minha mãe nunca vai voltar a casa porque nunca vai pedir perdão ao rei.” Não por frieza, mas pela coragem de uma combatente, Aminetu mediu todas as palavras: “podem viver sem mãe, mas não sem dignidade”. Por mim, ao ver esta mulher firme e de paz morrer na Europa que se diz da liberdade sinto uma vergonha sem fim. E um desprezo enorme pelos cobardes que nos governam. Tivessem os nossos líderes um pingo do que tem Aminetu e estariamos muito melhor servidos.
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